
A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma neoplasia, ou seja, é um câncer de linfócitos B maduros. Essa doença é caracterizada pela presença de linfócitos doentes ou clonais no sangue periférico. Clonal é o termo que utilizamos para nos referir a células alteradas no cânceres hematológicos. Por definição tem que ter mais de cinco mil linfócitos clonais no sangue periférico.
Vamos exemplificar com três cenários.
Vamos exemplificar com três cenários.
- Cenário 1: O paciente tem quatro mil linfócitos B alterados no sangue.
Se o paciente não tiver nenhum acometimento linfonodal, vamos classificar a alteração dele de linfocitose B monoclonal.
- Cenário 2: O paciente tem menos do que cinco mil linfócitos porém tem linfonodo alterado.
Vamos classificar a doença desse paciente de linfoma linfocítico pois ele tem uma doença com acometimento predominatemente nodal ou linfonodal. Ou seja, tem linfoma.
- Cenário 3: O paciente tem mais de 5 mil linfócitos clonais no sangue periférico.
Nesse caso, com ou sem doença nodal, o paciente tem LLC.
Isso são só definições de espectro de uma mesma entidade.
A LLC é a leucemia mais comum do ocidente. Estima-se que vão surgir aproximadamente duzentos mil casos novos por ano de pacientes com LLC. Não tem comprovação de uma transmissão genética ou seja é uma doença que o paciente adquire ao longo da vida.
Virtualmente todo paciente com LLC passou pela fase de linfócito normal, linfocitose b monoclonal e LLC. A maioria dos pacientes com linfocitose b monoclonal vai viver a vida toda sem essa transformação, mas algo em torno de um por cento dos pacientes ao ano vai acabar evoluindo para a LLC.
Quase 50 por cento dos pacientes, além da linfocitose, vão ter também alteração de linfonodo, ou seja linfonodomegalia. Algo em torno de 25 por cento vão ter baço grande, esplenomegalia. Cerca de 15 por cento vão ter também aumento do fígado, hepatomegalia. Perda de peso, febre e sudorese noturna é raro na LLC. A LLC tem a característica de poder apresentar alterações autoimunes. Que podem acontecer em cerca de 10 por cento dos pacientes.Podem acontecer episódios de anemia autoimune, púrpura imune ou até aplasia pura da série vermelha.
Qual é o exame que confirma a doença? É a imunofenotipagem de sangue periférico.
Uma vez confirmado o diagnóstico pela imunofenotipagem, o paciente vai ser estadiado para saber se vai precisar receber tratamento ou o quão agressivo terá que ser esse tratamento.
Aí vem a hora de pensar na nossa pergunta. A LLC é um câncer bom? Tá certo falarmos isso?
Algo em torno de 60 por cento dos pacientes com a LLC vão precisar tratar a doença em algum momento da vida.
Ou seja, a LLC nem sempre é um câncer bom, um bom número de pacientes vai precisar tratar a doença em algum momento da vida.
Por exemplo, os pacientes com estadiamento mais avançado vão evoluir pior ao longo do tempo. Então eu não posso de uma forma geral dizer que a LLC é um câncer bom.
A LLC tem um comportamento heterogêneo.
Uma boa parcela dos pacientes não vai precisar de tratamento e aí até podemos considerar como um câncer bom. Mas outra parcela vai precisar receber tratamento, então, não podemos considerar isso como um câncer bom.
Para o tratamento duas grandes opções são os inibidores de tirosina quinase de Bruton, os iBTKs e os inibidores de BCL 2. Essas duas classes de medicamentos mudaram a história do tratamento da LLC.
Então para responder
A LLC é um câncer bom? Depende.
Obrigado e até uma próxima.